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Marília Pêra morre aos 72 anos

Marília Pêra faleceu aos 72 anos
(Foto: Rio News)
Marília Pêra faleceu na manhã de hoje, dia 5 de dezembro, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A atriz, que lutava contra um câncer há 2 anos, morreu em casa, ao lado da família. Ela deixa os filhos Ricardo Graça Mello, Esperança Motta e Nina Morena e o marido Bruno Faria. O velório será no Teatro Leblon, sala Marília Pêra (Rua Conde de Bernadote, 26 – Leblon), a partir de 13h.
Recentemente, Marília se tratou de um desgaste ósseo na região lombar, o que acabou fazendo ela se afastar do trabalho durante o período de um ano.
A saúde da atriz se complicou nos últimos meses. Em estado delicado, Marília teve que passar a respirar com a ajuda de um balão de oxigênio.
Nascida no dia 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro, Marília dedicou a vida às artes cênicas. Considerada uma artista fora do comum, Marília era completa: além de atuar, era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Diva do teatro e da televisão brasileira, trabalhou em mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas. Atualmente, integrava o elenco de ‘Pé na Cova’, seriado de Miguel Falabella, cuja primeira temporada foi lançada em 2013. No papel de Darlene, a irreverente ex-mulher de Ruço, personagem interpretado por Miguel, ela arrancou muitas risadas do público. Na série, Darlene trabalhava como maquiadora da FUI (Funerária Unidos do Irajá) e era mãe de Odete Roitman e Alessanderson (Luma Costa e Daniel Torres).
Como tudo começou
Filha, neta e sobrinha de atores, a atriz foi criada dentro das coxias e costumava dizer que pisou num palco pela primeira vez aos 19 dias de vida, no colo de uma amiga de sua mãe, que precisava de um bebê para uma peça de teatro. Aos quatro anos, começou a trabalhar na Companhia de Henriette Morineau e fez seu primeiro papel, interpretando uma das filhas de Medéia, na peça homônima de Eurípedes, na qual atuavam seus pais, Manoel Pêra e Dinorah Marzullo.
Além da estreia no teatro, começou a estudar piano, por incentivo do pai, que também a estimulou a estudar balé clássico. A chegada à televisão foi pela dança. Seus pais eram da TV Tupi quando a emissora começou, e havia um programa de balé semanal no qual ela se apresentava ao vivo. À época, trabalhou ainda em outros programas de espetáculos do canal. Dos 14 aos 21 anos, atuou como bailarina em musicais como “Minha Querida Lady”, protagonizado por Bibi Ferreira, em 1962; e “O Teu Cabelo Não Nega”, em 1963, biografia de Lamartine Babo, interpretando Carmen Miranda, papel que repetiu diversas vezes na carreira.
Aos 16 anos, casou-se com o primeiro marido, o ator Paulo Graça Mello, e, aos 18, em 1961, excursionou pelo Brasil e por Portugal com a peça “Society em Baby-Doll”, de Henrique Pongetti. No ano seguinte, estrelou o musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”, de Abe Burrows, Jack Wienstock e Willie Gilbert. Em 1965, foi convidada pelo diretor Abdon Torres para fazer parte do elenco que iria inaugurar a TV Globo, e protagonizou as novelas ‘Rosinha do Sobrado’ e ‘Padre Tião’, de Moisés Weltman. Também atuou em ‘A Moreninha’, adaptação do romance de Joaquim Manuel de Macedo, escrita por Graça Mello, seu ex-sogro.
De 1965 a 1968, trabalhou em diversas peças e participou da novela ‘Beto Rockfeller’, na TV Tupi, considerada um marco na teledramaturgia. Em 1971, Marília foi convidada pelo diretor Daniel Filho para voltar a TV Globo no papel de Shirley Sexy, na trama de ‘O Cafona’, de Bráulio Pedroso, em que fazia par com Francisco Cuoco e conquistou grande popularidade. Logo depois, foi uma sucessão de personagens marcantes. A partir de 1974, após interpretar a personagem-título da novela ‘Supermanoela’, passou um tempo sem fazer novelas.
No retorno, em 1982, participou da minissérie ‘Quem Ama Não Mata’, de Euclydes Marinho, e, em 1987, da novela ‘Brega & Chique’, num papel escrito especialmente para ela por Cassiano Gabus Mendes, e que ela dizia ter sido um presente, a novela que mais gostou de fazer.
Nos anos 90, trabalhou em duas tramas de Ricardo Linhares: ‘Lua Cheia de Amor’ (1991) e ‘Meu Bem Querer’. Na TV Bandeirantes, atuou em outra novela de Linhares, ‘O Campeão’ (1982), e na Manchete, em ‘Mandacaru’ (1997), de Carlos Alberto Ratton.
Mais uma vez de volta à emissora, a atriz integrou o elenco da minissérie ‘Os Maias’ (2001), adaptação de Maria Adelaide Amaral do romance de Eça de Queiroz, com a personagem Maria Monforte, que não existia na obra original. Depois, foi Janis, a avó doidona de ‘Começar de Novo’ (2004), de Antonio Calmon, e a interesseira Milu, em ‘Cobras & Lagartos’ (2006), de João Emanuel Carneiro. Ainda esteve em ‘Duas Caras’, de Aguinaldo Silva, e no remake de ‘Ti-Ti-Ti’ (2011), escrito por Maria Adelaide a partir do original de Cassiano Gabus Mendes, onde pôde voltar a viver Rafaela Alvaray, de ‘Brega & Chique’.
Em 2010, reforçou na televisão a história de amizade com o amigo Miguel Falabella, no seriado ‘A Vida Alheia’. A parceria entre eles, no entanto, é anterior. A primeira peça de teatro que Marília Pêra dirigiu foi “A Menina e o Vento”, em 1978, por insistência dele e de Marília Padilha, que queriam que ela fosse coautora com eles. Anos depois, os dois voltaram a trabalhar juntos no longa-metragem “Polaróides Urbanos”, de 2008, dirigido por Miguel, em que a atriz interpretava irmãs gêmeas. Do autor, também fez a novela ‘Aquele Beijo’, em 2011, na pele da rica empresária Maruschka Lemos de Sá. A partir de 2013, conquistou o público com a carismática Darlene, de ‘Pé na Cova’.
Cinema 
Com mais de 60 anos de carreira e mais de 60 personagens, Marília Pêra não poderia ter deixado de brilhar também nas telonas. No cinema, estrelou filmes como “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), de Hector Babenco; “Bar Esperança” (1983), de Hugo Carvana, “Anjos da Noite” (1986), de Wilson Barros, “Dias Melhores Virão” (1988) e “Tieta do Agreste” (1995), ambos de Cacá Diegues; “Central do Brasil” (1996), de Walter Salles; e “O Viajante” (1998), de Paulo César Saraceni.
Teatro
Marília desempenhou nos palcos papeis marcantes e recebeu importantes prêmios no teatro. Com “Fala Baixo, Senão eu Grito”, primeira peça teatral da dramaturgia paulista, de Leilah Assumpção, encenada em 1969, recebeu vários títulos de melhor atriz. Por suas interpretações, ganhou duas vezes o Prêmio Moliére, sendo a primeira em 1974, em “Apareceu a Margarida”, de Roberto Athayde, e a segunda dez anos depois, por “Brincando em Cima Daquilo”, de Dario Fo. Ainda recebeu o Prêmio Mambembe por “O Exercício”, de John Lewis Carlino, e se destacou na direção de Marco Nanini e Ney Latorraca na peça “Irmã Vap”, de Charles Ludlan, em 1986.
Depois de “O Teu Cabelo Não Nega”, voltou a interpretar Carmen Miranda no espetáculo “A Pequena Notável” (1966); em “A Tribute to Carmen Miranda”, no Lincoln Center, em Nova Iorque (1975), dirigido pelo também ex-marido, Nelson Motta; me “A Pêra da Carmen”, em 1986 e 1995; e no musical dirigido por Maurício Sherman, “Marília Pêra Canta Carmen Miranda” (2005).
Uma das atrizes que mais atuou sozinha nos palcos, Marília interpretou muitas mulheres célebres, como a cantora Dalva de Oliveira, em “A Estrela Dalva”, em 1987; Maria Callas na peça “Master Class”, em 1996; e a estilista Coco Chanel, na peça “Mademoiselle Chanel”, em 2004; além da ex-primeira dama do Brasil, Sarah Kubitschek, na minissérie ‘JK’, em 2006, de Maria Adelaide Amaral.
Música
Dama do teatro e da TV, Marília também era uma apaixonada pela música. Em 1964, ela chegou a derrotar Elis Regina, ambas desconhecidas até então, num teste para o musical “Como Vencer na Vida Sem Fazer Força”, de Abe Burrows, Jack Weinstock e Willie Gilbert, que, na época, foi traduzido por Carlos Lacerda.
Já em 1975, Marília protagonizou o espetáculo “Feiticeira”, show concebido por Nelson Motta, com roteiro assinado em parceria com Fauzi Arap, que virou LP lançado pela gravadora Som Livre. Mais tarde, por iniciativa do DJ Zé Pedro, o álbum ganhou versão em CD pelo selo Joia Moderna.
Atualmente, estava envolvida no projeto de um novo CD, pela Biscoito Fino, com repertório de canções de Tom Jobim, Johnny Alf, Dolores Duran e de Kurt Weill

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