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Crítica: No fim, Nina só queria ser amada por Carminha


Nas redes sociais ficaram as críticas. Algumas tirinhas no Facebook fazem piada, uma delas mostra o personagem Chaves dizendo que seria melhor ter ido ver o filme do Pelé. Mas será que esse último capítulo foi tão ruim assim? E, se sim, estragou tudo o que a novela fez até hoje?
Foi um último capítulo cheio de emoções. Como manda o bom clichê dos últimos capítulos de novela, tivemos a resolução dos crimes, casamentos, nascimentos de crianças e muitos avanços no tempo. Por mais inovador que o autor João Emanuel Carneiro tenha sido durante toda a novela, há certas regras que não se consegue fugir: a de fazer um último capítulo igual a todos os outros.
Uma das melhores coisas deste último capítulo foi a redenção de Carminha (Adriana Esteves). No meio da trama, tanto ela quanto Nina (Débora Falabella) estavam ensandecidas, completamente loucas em suas sedes particulares de vingança. Carminha tentava a todo modo destruir Nina, e a garota buscava uma maneira de jogar pra cima da ex-madrasta todo o mal que ela sofreu de ter sido abandonada em um lixão.
O que vimos durante a novela, na verdade, foi uma tentativa desesperada de Nina para chamar a atenção de Carminha. Como uma criança que abre um berreiro em local público para ser o centro das atenções, Nina tentou desesperadamente durante a novela ser amada pela mãe que nunca teve. Seria fácil ela revelar as fotos desde o começo, ou encurtar sua vingança. Mas não, ela preferiu fazer isso devagar quase parando, na vã intenção de fazer Carminha se redimir e aceitar o seu amor.
Nesse último capítulo, Nina conseguiu sua vingança. Durante o duelo contra Santiago (Juca de Oliveira), um surto de boa consciência fez Carminha salvar Nina. Durante a resolução do crime de Max, a megera revelou que, mais uma vez, salvou a garota vingativa da morte certa. Aceitar ser presa sem oferecer resistência foi o jeito encontrado de dizer como ela amava aquelas pessoas. E ela chegou a confessar isso para Tufão (Murilo Benício). Aquele era o jeito torto dela de dizer o quanto amava todos eles.
Por tudo isso, a cena com Nina indo comer na casa da Mãe Lucinda (Vera Holtz) foi tão significativa. Carminha continuava arredia como um cavalo indomável, mas não conseguiu resistir ao abraço de Nina. Ambas choraram, e enterraram de vez as mágoas desses últimos nove meses de novela. Até o apelido de “traste”, que foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter, foi usado de maneira carinhosa. Foi quando a novela mais se aproximou da realidade: aqui não temos vilões e mocinhos, apenas pessoas com pensamentos antagônicos. E, às vezes, o perdão é muito mais significativo que uma guerra.
Nina cresceu muito nessa história. Carminha também. Adauto e sua história da chupetinha também. Assim como Tufão, Jorginho, Ivana e todos os outros personagens daquele encantador bairro do Divino. E teve mais alguém que amadureceu com esta novela: a dramaturgia do país. Ficou provado que sangue novo pode reacender a paixão nacional do Brasil. E não estou falando do futebol.
Por: Fábio Garcia / Blogs POP – Séries & TV

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