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Alexandre Borges perde a mão com Jacques LeClair em Ti-Ti-Ti

TV por Jorge Brasil


Foto: TV Globo/Zé Paulo Cardea

O mais comum é um ator demorar um pouco para achar o tom de seu personagem. Às vezes, começa meio over, mas com o tempo vai acertando os ponteiros até atingir o resultado esperado. Faz parte da profissão. Tem gente que não consegue, é claro, mas raro mesmo é quando acontece o contrário: a pessoa começa bem, mas acaba perdendo a mão, muitas vezes, sem conseguir se recuperar. Alexandre Borges começou Ti-Ti-Ti divertidíssimo. Sua versão de Jacques Leclair era muito mais afetada do que a criada por Reginaldo Faria, em 1985, mas tudo bem. O resultado era excelente.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Porém, ao completar 100 capítulos na pele do costureiro, o ator é a imagem do exagero. O que é lamentável!Não é de hoje que tenho achado Alexandre muito acima do tom necessário. Jacques virou um personagem de desenho animado, quase o Papaléguas, tamanha quantidade de saltinhos que dá. As caretas que o ator vem fazendo também tiraram seu papel do trilho em que ele estava tão bem situado: no delicado fio entre o engraçado e a caricatura. Agora, Leclair nem parece mais um ser humano. Nada me convence mais. Não tem como passar a imagem de um homem irresistível, já que tem desmunhecado além do que precisava. Sua paixão por Clotilde (Juliana Alves) também não cola e a relação com os filhos, então, é triste de doer.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Com isso, Alexandre vem sendo trucidado por Murilo Benício nas cenas em que contracenam juntos. O Ariclenes / Victor Valentim de Murilo também tem seus momentos de exagero, mas que o ator niteroiense consegue equilibrar muito bem. O amor que ele sente por Suzana (Malu Mader) e pelo filho, Luti (Humberto Carrão), também é comovente, assim como a forma que ele conseguiu que os amigos Chico (Rodrigo Lopéz), Marta (Dira Paes), Nicole (Elizângela) e Desirée (Mayana Neiva) se unissem para ajudá-lo a fazer do costureiro espanhol fake um grande sucesso. Falta essa humanidade ao personagem e ao núcleo de Jacques Leclair.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Pra mim a grande culpada por Alexandre Borges ter perdido a mão com Jacques Leclair é Cláudia Raia. O estrondoso sucesso da atriz como a doidivanas Jacqueline Maldonado deve ter tirado seu colega de cena do prumo e, na tentativa de acompanhar a interpretação visceral de Claudia, Alexandre pegou o vácuo do exagero dela e se perdeu.

Foto: TV Globo/Alex Carvalho

O detalhe é que: Jacqueline foi marcada e construída como uma louca varrida e exagerada até ar raiz do cabelo desde sempre. Jacques não deveria ser seu complemento e sim seu contraponto. Tudo bem que não é nada fácil você ter que servir de escada para o grande destaque da novela, só que, com um pouco mais de paciência e inteligência, ele poderia ter comido pelas beiradas e ter tanto destaque quanto sua parceira, que é um verdadeiro carro alegórico. É nesse momento, que um ator descobre o quanto a expressão “quando menos é mais” pode funcionar a seu favor. Abre o olho, Alexandre, enquanto ainda há tempo…

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